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O Canto do Sertão! PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Thiago Gonzalez   

Segundo fontes encontradas no site de pesquisa ‘google’, o Carro de bois é um dos mais primitivos e simples meios de transporte, ainda em uso em alguns estados do país. Seu José fez de uma tradição um empreendimento.{gallery}boi{/gallery}

Conhecido como Açores “Boeiro” em Portugal, “carreta” nos pampas gaúchos, “cambona” em algumas regiões do interior do Brasil, e o popular carro de bois em nossa região e em outras espalhadas pelo país.

Tomé de Sousa – primeiro governador-geral do Brasil – trouxe consigo carpinteiros e carreiros práticos e, em 1549, já se ouvia o “cantador” nas ruas da nascente cidade de Salvador.

Nos primeiros tempos da colonização, além de manter em movimento a indústria açucareira - da roça ao engenho, do engenho às cidades, o carro de bois mobilizava a maior parte do transporte terrestre durante os séculos XVI e XVII. Transportavam materiais de construção para o interior e voltavam para o litoral, carregados com pau-brasil e produtos agrícolas produzidos nas lavouras interioranas. No Brasil colonial, além dos fretes, o carro de bois conduzia famílias de um povoado para outro – muitas vezes transformado em “carro-fúnebre”.

No início do século XVI, o carro de bois era ainda absoluto no transporte de carga e de gente. No Sul, no Centro, no Nordeste, era indispensável nas fazendas. No Rio Grande do Sul as carretas conduziam para a Argentina e para o Uruguai a produção agrícola. Na Guerra do Paraguai, os carretões transportaram munições, víveres e serviram ainda como ambulâncias.

O som estridente característico do carro de bois, chamado de canto, lamento ou gemido, também faz parte da nossa cultura. Dotado de uma estrutura que não possui o diferencial, suas rodas travam durante as curvas. Quando em movimento, o autêntico carro de bois emite um som estridente característico - o cantador - que anuncia a sua passagem.

Em meados do século XVIII, entretanto, com o aparecimento da tropa de burros, o carro de bois perdeu sua primazia. Mais leves e mais rápidos, os muares não exigiam trilhas prévias e terrenos regulares. No final do século, vieram os cavalos para puxar carros, carroças e carruagens, e o carro de bois foi proibido por lei de transitar no centro das cidades, ficando o seu uso restrito ao meio rural.

Os veículos motorizados aceleraram o processo de decadência do carro de bois no Brasil e em outros países. Contudo, em todos esses lugares, artesãos continuaram a construí-los e a aperfeiçoá-los e, graças a essa gente, o carro de bois persiste na sua marcha pela história.

E com muito orgulho temos em nosso município essa chama acesa de cultura, passada de pai para filho.

José Mário Castro de Oliveira, 52 anos, aprendeu a fazer carros de bois aos 18 anos com o pai Rosalvo Risério, hoje com 84 anos, que carrega nas palmas de suas mãos, marcas de uma história de vida difícil passada na Bahia.

Uma estória cheia de valores históricos e culturais contada pelo artesão, debaixo de uma mangueira de muitos anos preservada no sítio onde mora com sua família.

Seu José já foi de tudo um pouco, caminhoneiro, carpinteiro, marceneiro, pedreiro, lavrador, até encontrar o seu verdadeiro meio de vida, ‘esculpir’ Carros de bois com suas mãos e algumas ferramentas indispensáveis como o enxó, machado e formão, além de ser o único entre os 8 filhos, que herdou o gosto pela terra assim como o pai.

“Me sinto muito orgulhoso de continuar um pouquinho da história de vida de meu pai, e assim como ele passo um pouquinho para meus filhos, Mário (16) e Gabriel (13), com a ajuda de minha esposa Solange (39)”.

A família faz questão de confirmar tudo, unidos à sombra da mangueira complementando cada frase rica em muitos detalhes.

O seu primeiro carro ficou pronto em 2004, para uso próprio, já que a vida rural exige bastante força!

Hoje Seu José já está montando o seu 3° carro, e algumas encomendas, e só coleciona elogios por onde passa ou dos interessados que o procuram. “Depois que as pessoas souberam que fiz o meu carro de bois, só me elogiavam, diziam entre outras coisas que era um resgate cultural muito lindo, além de ser uma tradição de família”.

É, mas nem tudo é fácil! Ele conta que leva cerca de 30 dias, bem trabalhado, para entregar a ‘encomenda’ pronta, e que retira toda a madeira da mãe natureza, com muito respeito ao Meio ambiente.

Entre as peças, a cantadeira chama mais atenção, não pelo seu tamanho, pelo contrário ela é pequena comparada às outras peças como a ‘canga’ e as rodas, mas possui uma qualidade única, o ‘canto’ do carro.

O som é algo fantástico, incapaz de ser explicado, é algo para ser sentido!

Quase um selo de garantia, dos realmente originais, Carro de bois. “Meu avô dizia que quando ele terminava um carro e ele não cantasse durante o percurso, ele o jogava no fogo” contou Mário, sobre as estórias contadas em família.

Para que o carro ‘cante’ pelo caminho é necessário alguns óleos naturais, como o de mamona e o de copaíba, entre outros segredinhos, que nem mesmo com um pão caseiro recém saído do forno a lenha e um fresco café, serviu de inspiração para que Seu José nos contasse.

E para ‘arrematar’ essa estória, o próprio Seu José e sua esposa nos contam algo mais. “Aqui em casa trabalhamos sempre unidos, minha esposa faz pães caseiros, cultiva e vende verduras, faz crochê e junto com meus dois filhos me ajuda a amansar os bois (nelore com cruzado e caracu) que puxam os Carros de Bois, que tem hoje como principal utilidade as CAVALGADAS realizadas em nossa região”.

“Acho lindo o trabalho do meu marido, além do valor cultural que ele representa para o município e para a história do nosso país”.


Quem quiser participar de uma bela aula de história contada aos pés de uma mangueira pode procurar por Seu José e toda sua família no Sítio São Sebastião que fica na Estrada para o Bairro Alto Alegre KM 02 e apreciar o que a nossa cultura tem de bom ou, encomendar um belo Carro de bois!

 
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